Vários agentes de IA como orbes luminosos compartilhando arquivos de código em nuvem

Quando eu levo um agente de IA do teste para produção, o problema quase nunca está só no modelo. O ponto difícil aparece depois. Como manter estado por horas ou dias? Como fazer vários agentes colaborarem sem virar um conjunto frágil de integrações? E quando um fluxo pede GPU em uma etapa, mas não o tempo todo? Foi nesse cenário que eu vi ganhar sentido o lançamento das runtime instances no Amazon Bedrock AgentCore.

As runtime instances são uma opção de computação gerenciada para hospedar agentes de IA em ambientes persistentes dentro do AgentCore.

Na prática, a AWS passou a oferecer infraestrutura EC2 gerenciada para agentes em produção, com controle de sessão, armazenamento compartilhado e integração com APIs, políticas de identidade e recursos de observação do próprio AgentCore. Para quem trabalha com operações que não podem parar, como a Interserv Cloud, isso conversa direto com segurança, continuidade e previsibilidade.

Por que esse lançamento chama atenção

Eu já vi muitos protótipos funcionarem bem por alguns minutos e falharem quando o fluxo real dura um dia inteiro. Esse é o salto mais duro. Um agente pode precisar guardar contexto, retomar uma tarefa depois de horas, compartilhar arquivos com outro agente e ainda acessar GPU para uma parte bem específica do trabalho.

Antes, isso exigia muito ajuste de infraestrutura. Agora, com runtime instances, eu posso manter múltiplos agentes no mesmo ambiente persistente, com sessões de até 14 dias. Também posso interromper e retomar instâncias quando ficarem ociosas, o que ajuda no controle de gastos.

Produção exige memória, contexto e continuidade.

Outro ponto que me pareceu muito útil é o fato de os agentes poderem ser criados com frameworks e modelos diferentes. Cada um é empacotado em um arquivo zip ou container, roda lado a lado e colabora pelo mesmo sistema de arquivos. É simples de entender. E isso ajuda bastante.

Como as runtime instances funcionam

No AgentCore, a runtime instance funciona como um ambiente de execução persistente. Em vez de tratar cada agente como algo isolado e descartável, eu passo a ter uma base compartilhada para sessões longas e colaboração local.

Os agentes podem se comunicar sem troca direta de mensagens, usando arquivos no mesmo diretório de trabalho da sessão.

O exemplo apresentado mostra bem isso. Um agente escritor de código Python recebe uma descrição em texto, gera o código e salva o resultado em um arquivo no armazenamento compartilhado. Depois, um segundo agente, revisor, lê esse mesmo arquivo e devolve comentários sobre bugs, estilo e sugestões de ajuste. Não há conversa entre agentes por chat, fila ou chamada entre serviços. Tudo acontece pelo sistema de arquivos da sessão.

Eu gosto desse padrão porque ele reduz acoplamento. Também deixa o fluxo mais auditável. Se eu quiser acrescentar um terceiro agente para testes, um quarto para documentação e outro para checagens de segurança, todos podem usar o mesmo diretório de trabalho.

  • Sessões persistem por até 14 dias.
  • Há suporte a Linux ARM64 e x86_64.
  • É possível usar Python 3.11, 3.12, 3.13 e 3.14, além de containers.
  • Instâncias com GPU são aceitas para tarefas que pedem aceleração.
  • O preço segue o custo de EC2 somado a uma taxa de gerenciamento.

As regiões citadas para disponibilidade incluem Ohio, N. Virginia, Oregon, Mumbai, Singapura, Sydney, Tóquio, Frankfurt e Irlanda.

Agentes de IA usando diretório compartilhado em sessão persistente

Passo a passo prático para criar a estrutura

Se eu fosse montar esse ambiente hoje, seguiria um caminho bem direto na console.

Primeiro, eu criaria um capacity provider com estas escolhas:

  1. Selecionar Linux ARM64 como sistema operacional.
  2. Escolher a instância c7g.2xlarge, com 8 vCPUs e 16 GiB de RAM.
  3. Configurar VPC, sub-redes e grupos de segurança.
  4. Manter o armazenamento padrão gp3.
  5. Criar a função de serviço para o ambiente.

Depois disso, eu criaria um runtime para cada agente. Nesse ponto, os arquivos de cada agente podem ser enviados em zip via S3, com o entrypoint Python definido no cadastro. A autorização pode usar a role padrão criada pela própria console, o que acelera a configuração inicial.

O capacity provider define a base computacional compartilhada que será usada pelos runtimes dos agentes.

Esse detalhe faz diferença. Como os agentes compartilham a mesma infraestrutura EC2 e o mesmo sistema de arquivos, a colaboração entre eles fica mais natural. Não é preciso montar um fluxo cheio de cópias, webhooks ou passos intermediários só para mover contexto.

Para quem acompanha arquiteturas resilientes, eu sugiro também olhar este conteúdo sobre resiliência em nuvem na AWS. Eu acho uma boa base para pensar nesses agentes já com visão de operação real.

Como testar no playground

Depois de publicar os runtimes, eu posso invocar os agentes pelo playground na console. O fluxo é simples. Crio uma sessão, executo o agente que escreve o código e, em seguida, chamo o agente revisor usando o mesmo session ID.

Esse detalhe da mesma sessão é o que mantém o contexto compartilhado. O primeiro agente grava o arquivo. O segundo encontra o mesmo arquivo no diretório da sessão e segue dali. Em ambiente de produção, eu consigo estender esse padrão para quantos agentes forem necessários.

  • Um agente pode gerar código.
  • Outro pode revisar bugs e estilo.
  • Um terceiro pode rodar testes.
  • Um quarto pode produzir documentação.
  • Um quinto pode validar padrões de segurança.

Eu vejo bastante valor nesse modelo para times que precisam de rastreabilidade e disciplina operacional. Não por acaso, ele conversa com temas de agentes de IA, machine learning e também com a necessidade de escalabilidade em cargas mais exigentes.

Console com criação de runtime e sessão no AgentCore

O que eu observaria antes de colocar em produção

Mesmo com a parte gerenciada, eu não trataria isso como algo automático. Eu revisaria permissões, isolamento de rede, logs, ciclo de vida das sessões e regras para suspensão e retomada das instâncias ociosas. Em projetos da Interserv Cloud, esse cuidado é o que reduz risco e evita surpresa na operação.

Também vale pensar no custo desde o início. Como o modelo de cobrança combina EC2 com taxa de gerenciamento, o desenho da capacidade influencia direto no orçamento. Para esse ponto, eu recomendo esta leitura sobre práticas para evitar surpresas no orçamento da AWS.

No meu ponto de vista, o maior ganho aqui é tirar do time uma parte do trabalho repetitivo de infraestrutura e deixar mais foco no comportamento dos agentes, nas sessões e nas regras de colaboração. Isso aproxima o uso de IA de um padrão mais estável para produção.

Se eu tivesse de resumir, diria o seguinte. O Amazon Bedrock AgentCore ficou mais preparado para fluxos longos, multiagente e com necessidade de contexto persistente. Se você quer estruturar isso com segurança, resiliência e operação 24/7, vale falar com a Interserv Cloud e entender como transformar esse tipo de arquitetura em ambiente confiável na AWS.

Perguntas frequentes

O que é o Amazon Bedrock AgentCore?

Eu entendo o Amazon Bedrock AgentCore como a camada da AWS voltada para execução, controle e operação de agentes de IA em produção. Com as runtime instances, ele passa a oferecer ambientes persistentes, sessões longas, armazenamento compartilhado, integração com identidade, APIs e observação.

Como criar uma runtime instance na AWS?

Eu começaria criando um capacity provider na console, escolhendo Linux ARM64, instância c7g.2xlarge, VPC, sub-redes, grupos de segurança, armazenamento gp3 e função de serviço. Depois, criaria os runtimes de cada agente, enviando os arquivos zip via S3, definindo o entrypoint Python e autorizando a role padrão criada pela console.

Quais são os benefícios do AgentCore?

Na minha leitura, os principais ganhos são sessões persistentes de até 14 dias, execução de múltiplos agentes no mesmo ambiente, compartilhamento de contexto por sistema de arquivos, suporte a GPU, uso de infraestrutura EC2 gerenciada pela AWS e opção de interromper e retomar instâncias ociosas.

Quanto custa usar o AgentCore na AWS?

O custo das runtime instances segue a soma do valor da infraestrutura EC2 com uma taxa de gerenciamento do serviço. Por isso, eu sempre avaliaria tipo de instância, tempo ativo, uso de GPU e políticas de pausa para controlar melhor os gastos.

Onde encontro exemplos de uso do AgentCore?

Eu buscaria exemplos na própria documentação e na página das runtime instances do Amazon Bedrock AgentCore, especialmente os cenários com agentes colaborando pelo mesmo diretório de sessão. Para aprofundar a visão arquitetural, também vale acompanhar os conteúdos técnicos publicados pela Interserv Cloud sobre IA, operação e nuvem AWS.

Compartilhe este artigo

Sua infraestrutura AWS, sob controle.

Blog

Sobre nós
Guilherme Ferreira

Sobre o Autor

Guilherme Ferreira

Guilherme Ferreira tem mais de 20 anos de experiência na indústria de sistemas e infraestrutura. Fundou sua primeira empresa em 1998, aos 15 anos de idade, e desde então vem empreendendo em diversos setores e países. Foi Arquiteto de Soluções para Startups na Amazon Web Services (AWS) na Holanda, atendendo clientes dos setores de Fintech e Health Care Life Sciences. Atualmente, está à frente de diversas iniciativas em software e cloud computing no Brasil, nos Estados Unidos e na União Europeia.

Posts Recomendados